
Nascido no Recife em 1794, filho do famoso padre Roma, que abandonou a batina para casar e foi um dos revolucionários de 1817. Batizado como José Inácio de Abreu e Lima, fez seus estudos preparatórios em Olinda e depois seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de fazer curso na Academia Real Militar, em que se diplomou e voltou à sua terra como capitão de artilharia em 1816.
Envolveu-se em distúrbios políticos e foi preso e remetido para Salvador, onde o governador da Bahia, o Conde dos Arcos, o encarcerou no forte de São Pedro. No ano seguinte, o seu pai foi enviado a Salvador como representante da revolução que fora vitoriosa em março do mesmo ano (1817) devendo fazer contato com simpatizantes da república na Bahia e expandir o território revolucionário.
O ex Padre Roma foi preso ao chegar a Salvador foi conduzido para a fortaleza em que se achava o filho e submetido a julgamento sumário que o condenou à morte por arcabuzamento.
José Inácio assistiu à morte trágica do pai e além de se abalar completamente e já ser um homem devotado às idéias liberais, tornou-se um ardoroso revolucionário! Conseguindo fugir da prisão, com apoio da maçonaria, rumou para os Estados Unidos, que na época era tido como país campeão da liberdade. Como não conseguiu o apoio solicitado partiu de lá para a Venezuela e alistou-se no exército de Simão Bolívar, em sua luta de libertação dos Países Andinos.
Lutou bravamente em numerosas batalhas, inclusive ao lado de Bolivar além de Santander, Páez e Sucre, na tentativa do sonhado “Estados Unidos da América do Sul” Conseguiram formar um território considerável que virou a Grã Colômbia. Porém as disputas internas e rivalidades por poder acabaram por esfacelar completamente o sonho bolivariano da America Latina. Abreu e Lima, que fizera carreira militar brilhante, de capitão de artilharia a general, e após perder sua posição com a morte de Bolivar e a ascenção de Santander, desiste da luta (na verdade também houve um caso amoroso com sobrinha do liberador, de nome Benigna, e uma forte disputa com Santander) e regressa ao Brasil, passando primeiro pela Europa.

Batalha de Carabobo de Martin Tovar y Tovar
Em Portugal, manteve contatos com o rei. D. Pedro IV de Portugal, que fora o Imperador Pedro I no Brasil quando passou a defender a monarquia. Voltou ao Brasil e fixo-se no Rio de Janeiro, de 1832 a 1840, e depois em Recife, voltando de forma moderada à atividade política, liderando os seus irmãos João, Luís e Francisco Roma já filiado ao partido Caramuru, que defendia a volta de Pedro I ao trono.
Nada foi comprovado, mas deve ter apoiado o partido praieiro na revolta chefiada por Nunes Machado e Pedro Ivo, pois acabou preso em 1848 e 1849, após a derrota da praieira, condenado à prisão em Fernando de Noronha.
Morreu em 8 de março de 1869 aos 75 anos, no Recife, defendendo a liberdade religiosa e por conta disto o bispo Dom Cardoso Ayres nega-lhe sepultura no cemitério de Santo Amaro.
As idéias liberais de Abreu e Lima no tocante à religião, expostas nos textos “As Bíblias falsificadas ou duas respostas a Joaquim Pinto Campos” e “O Deus dos judeus e o Deus dos cristãos”, o indispuseram severamente com o bispo, o monsenhor Pinto Campos estava em campanha contra a venda de bíblias protestantes e Abreu e Lima tratou de defender os protestantes e a liberdade religiosa.
Nas várias disputas políticas que participou, recebeu a alcunha pejorativa dos adversários de “general das massas”, que passou a ostentar com orgulho e dizendo ser mesmo um homem das massas!
Um pouco antes de sua morte um padre chegou a visitá-lo, por ordem do bispo, para que ele se retratasse, o que não fez. Abreu e Lima foi então enterrado em solo não católico, no cemitério dos Ingleses em Recife.
Texto em seu túmulo:“Aqui jaz o cidadão brasileiro General José Ignácio de Abreu e Lima propugnador esforçado da liberdade de consciência. Faleceu em 9 de Março de 1869. Foi-lhe negada sepultura no Cemitério Público pelo Bispo D. Francisco Cardoso Ayres. Lembrança de seus parentes.”
As suas principais obras literárias foram:
Resumen histórico de la última dictadura del Libertador Simon Bolívar, comprobada com documentos (1820)
Bosquejo Histórico, Político e Literário do Brasil (1835)
Compêndio de História do Brasil (1843)
Synopsis ou dedução chronologica dos factos mais notáveis da História do Brasil (1845)
História Universal - desde os tempos mais remotos até os nossos dias, relatando os acontecimentos mais notáveis em todas as épocas e os feitos mais célebres de todos os povos(em dois volumes). 1847
O Socialismo (1855) (o primeiro livro sobre socialismo nas Américas)
As Bíblias falsificadas ou duas respostas a Joaquim Pinto Campos (1867) (que lhe rendeu o exílio em morte, o cemitério dos ingleses na época era território britânico)
O Deus dos judeus e o Deus dos Cristãos (1867)
Infelizmente Abreu e Lima é mais conhecido na Venezuela que no Brasil. Tem seu nome inscrito no monumento aos libertadores e a única exigencia que Hugo Chavez fez para a refinaria PDVSA/PETROBRAS em construção em Suape/Pernambuco foi que a mesma se chama-se “Refinaria General Abreu e Lima”.

Maquete da refinaria General Abreu e Lima