Publicado por: Fred | Fevereiro 7, 2008

Sobre Padre Antônio Vieira e sua Defesa do Reino Português e conseqüente defesa dos Judeus e homens da Nação

O que move uma nação a ser uma potência se não a economia? 

A capacidade de movimentar o capital circulante e a capacidade de atrair recursos para financiar esta nação. 

Na Proposta a El Rei D João IV Vieira indica a necessidade premente de manter o Reino e para tanto o estado necessita de fundos. D. João IV estava em uma posição delicada, não havia sido confirmado pelo vaticano e a Inquisição expulsou do reino todo o capital mercantil, pois ter bens era o principal motivo para ser acusado de ser judeu ou cristão novo e ter os bens confiscados.

Como a Inquisição não precisava de provas ou de informar a acusação e podia confiscar todos os bens do acusado, todo judeu, homem da nação (cristão novos) ou possuidor de posses ou capital que não fosse da nobreza simplesmente saiam do Reino e da cobiça do clero.

Este foi o principal fomentador do crescimento econômico dos Países Baixos que permitia a atuação mercantil e manufatureira, sem importar a origem, em troca do pagamento de impostos. A Capacidade de enxergar a situação mundial com clareza e lidar com essa quantidade de variáveis foi, ao meu ver, a maior qualidade do Pe. Antonio Vieira, maior até que sua Oratória e Retórica.

Seu amor por Portugal o impulsionou a Capacitar Portugal a produzir riquezas e se firmar como Reino. Em detrimento de seu próprio sucesso pessoal, combateu a inquisição e a própria ordem para tentar tornar Portugal um sucesso econômico e político. Sua defesa a garantia de bens pessoais moveis e favorecer os homens de nação portugueses no comércio, possibilitaria a consolidação da restauração do Reino Português e sua volta à posição de direito entre as nações.

Para tanto defendia a criação de companhias comerciais aos moldes da holandesa e a utilização de dinheiro Judeu na capitalização destas companhias

 “O remédio temido, ou chamado perigoso, são duascompanhias mercantis, Oriental uma, e outra Ocidental,cujas frotas poderosamente armadas tragam seguras contraHolanda as drogas da Índia e do Brasil. E Portugal com asmesmas drogas tenha todos os anos os cabedais necessáriospara sustentar a guerra interior de Castela, que não podedeixar de durar alguns. Este é o remédio, por todas as suascircunstâncias, não só aprovado, mas admirado das naçõesmais políticas da Europa, exceto somente a portuguesa, naqual a experiência de serem mal reputados na fé alguns deseus comerciantes, não a união de pessoas, mas a misturado dinheiro menos cristão com o católico, faz suspeitosotodo o mesmo remédio, e por isso perigoso”DA PROPOSTA A EL REI D. JOÃO IV” 

Sua capacidade de previsão futura foi comprovada com suas negociações em Haia e sua publicação do Papel Forte, sugerindo a entrega de Pernambuco aos holandeses, posto a dificuldade de Portugal enfrentar a maior potência econômica da época e sofrendo intensa oposição em Portugal e no Brasil pelos partidários da guerra.

 A maior conseqüência da paz com os países baixos foi a queda imediata dos preços dos produtos brasileiros, a queda acentuada dos lucros e os custos elevados para a manutenção das tropas acabaram inviabilizando financeiramente a até então prospera “Nova Holanda” governada pelo Conde Mauricio de Nassau. Com a saída deste do governo da nova Holanda e sua volta a Europa o pouco retorno financeiro da administração das Índias Ocidental acabou de vez e inviabilizou a operação da companhia no Brasil.  

A Companhia das índias ocidentais (neerlandês: West-Indische Compagnie ou WIC) tomara dinheiro emprestado aos acionistas, não distribuía dividendos desde 1628, quando Piet Heyn capturara a frota espanhola da prata ao largo de Cuba (35 milhões de florins). Sua dívida acumulada superava 18 milhões de florins. E um partido, o dos burgueses de Amsterdã, no seio da Companhia, queria a paz, prevendo restituir a área conquistada no Nordeste brasileiro contra a abertura do comércio com as possessões da América espanhola.  

O golpe fatal nas operações da WIC no Brasil foi a criação da portuguesa Companhia Geral de Comércio do Brasil, idealizada pelo Pe. Antônio Vieira, porém sem conseguir assegurar os bens dos investidores judeus e cristãos novos e a cobrança de imposto do clero nem fundar a uma companhia para atuação na Asia.

Apesar de sua retórica, não conseguiu reter o capital judeu no Brasil nem em Portugal. 

A WIC foi expulsa definitivamente do Brasil em 1654 por tropas combinadas luso-brasileiras. Firmado o acordo com vantagens para ambos os lados e com garantias para Portugal de não mais haver invasões holandesas no Brasil. 

O preço do Açúcar volta a despencar com a competição do açúcar caribenho e a produção de riqueza no Brasil entra em declínio até o início do ciclo do ouro. A Visão política e econômica mundial do padre Antonio Viera permitiu essa vitória a Portugal ainda que incompleta.

Porém a Inquisição cobraria seu preço pela afronta e perda de rendimentos, com perseguição inclemente a sua pessoa. Resultando em proibição de falar e culminando com sua reclusão no maranhão aonde conduz uma campanha contra a escravização dos índios e negros.   

Fontes:

http://www.resenet.com.br/ahimtb/confliext3.htm 

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1150.html

http://www.mfa.nl/sao-pt/imprensa_midia_e/o_periodo_neerlandes 

 

 


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