Quando Gilberto Freyre publicou Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, permitiu uma compreensão melhor sobre a herança portuguesa, a mestiçagem e colocou o conceito da cultura no lugar da raça, renovando o pensamento da burguesia quando investiu contra os preconceitos racista.
Foi uma nova interpretação da formação étnica do país, que provocou escândalos e ferrenhas oposições de sacerdotes católicos e da elite intelectual da época.
Freyre acreditava que as classes conviviam em harmonia possibilitando que pessoas de talento conseguiriam ascender a qualquer cargo ou função não importando de qual humilde fosse sua origem. No entanto ele transcreveu um passado surreal escravista e colonialista de relações cordiais entre classes e etnias que não existe registro na historia.
Formalizou uma lenda do caráter benigno da colonização portuguesa no Brasil, principalmente nas relações sexuais entre senhores e escravos negros e índios. Esquecendo completamente das barbáries cometidas contra os cativos negros, índios e mestiços pobres ou apenas indicando estes fatos com exceção.
“miscigenação que largamente se praticou aqui corrigiu a distância social que doutro modo se teria conservado enorme entre a casa-grande e a mata tropical; entre a casa-grande e a senzala” ( Freyre, 1966)
Porém sinalizou para a elite dominante da época a necessidade de agir política e socialmente para adequar os antigos sistemas sociais e políticos nesta entrada ao modelo de capitalismo, que iniciava, e como manter-se nele. Um modo de compreender e se situar nessa nova ordem.
Agrediu o latifúndio e a monocultura agrícola exportadora, seguindo a mesma linha de Joaquim Nabuco, nem negou à continuidade dos males herdados do passado colonial e imperial que foram mantidos na República, como a burocracia do Estado e do funcionalismo público como meio de vida que mantinha os privilégios e o ócio dos membros das elites decadentes.
Porém como conservador foi, no mínimo, conivente com as ditaduras como a de Salazar em Portugal e mais tarde com a do governo militar no Brasil.