Publicado por: Fred | Março 10, 2008

Do lider da revolta da chibata de 1910 (o Almirante Negro)

 O LIDER

Nascido na então Província do Rio Grande do Sul na cidade de encruzilhada, filho dos ex-escravos João Cândido Felisberto e Inácia Felisberto, apresentou-se na Escola de Aprendizes Marinheiros do Rio Grande do Sul, com uma recomendação de “atenção especial” escrita do Delegado da Capitania dos Portos em Porto Alegre. Esse cuidado devia-se à iniciativa de um velho amigo e protetor de Rio Pardo, o almirante Alexandrino de Alencar, que o encaminhara aquele delegado.

Desse modo, numa época em que a maioria dos aprendizes era recrutada pela polícia, João Cândido alistou-se com o número 40 na Marinha do Brasil, em 1894, entrou, como grumete, em 10 de Dezembro de 1895, aos 13 anos de idade, fazendo a sua primeira viagem como Aprendiz de Marinheiro (GRANATO, 2000:7-8, 16).

Em 1908 a Marinha Brasileira passa por uma reforma, João Cândido é enviado a Inglaterra para acompanhar a finalização do encoraçado Minas Gerais e entra em contacto com a Marinha Inglesa mais organizada e bem aparelhada do mundo, e conhece uma reunião sindical dos marinheiros ingleses. Foi convivendo com o politizado proletariado inglês, que toma conhecimento do legendário motim dos marinheiros do encouraçado russo Potemkin, ocorrido em 1905, motivado pela má alimentação a bordo. E também das reivindicações dos marinheiros ingleses de 1903 e 1906 por melhores condições de trabalho

No Brasil o uso da chibata na marinha brasileira proibido desde 1889 ainda não havia desaparecido dos quadros da marinha sendo praticada de acordo com o julgamento do oficial superior.

A REVOLTA

Na viagem inaugural o Minas Gerais vai primeiro para os Estados Unidos e posteriormente para o Brasil. Em 22 de Novembro de 1910 o castigo corporal de 250 chibatadas, em vez das 25, imposto ao Marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes do Minas Gerais, que continuou mesmo quando o marinheiro estava desmaiado pelas dores, foi o estopim do motim que espalhou-se pelas demais naves da frota. Os revoltosos assassinaram o comandante do Minas Gerais, João Batista das Neves, e os demais oficiais desembarcaram dos navios.

A Frota então foi posicionada para bombardeio do Rio de Janeiro e iniciaram as negociações com o governo.

Foi então diparado um tiro de canhão 47 milímetros, que fez tremer a cidade, e assustou o marechal Hermes da Fonseca que estava no Clube da Tijuca, comemorando sua posse na presidência de República.

A notícia se espalhou rapidamente, e o governo tratou imediatamente de impor censura telegráfica entre o Rio de janeiro e as demais regiões do país, e a esquadra revoltada começou a manobrar na baia de Guanabara, buscando chamar a atenção das autoridades, disparando tiros de canhão de pequeno calibre contra o Rio e Niterói. Os mais ricos se retiraram em massa para a serra de Petrópolis e os mais pobres se refugiaram nos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro.

Como o movimento não se tratava de um ato anti-republicano ou contra o presidente, mas sim contra os maus tratos sofridos pelos marinheiros. O governo diante da revolta, optou pela solução mais sensata, que foi conceder a anistia aos revoltosos, só que o governo rompe o acordo e autoriza cadeia para os revoltosos.

A PENA

Além da Cadeia a marinha opta por uma solução de limpeza e higiene, Os revoltosos e João Cândido são detidos e encaminhado à prisão solitária, só no nome porque são alojados 18 praças, numa única cela, na qual minava água por todos os lados, e a pretexto de desinfetar o cubículo jogaram água com bastante cal, (a evaporação desta agua saturada de cal produz vapor de cloro, logicamente quase todos morreram, João foi um dos sobreviventes, mas ao sair da solitária, João Cândido foi transferido para um hospício, o Hospital dos Alienados, na Praia Vermelha, mais tarde foi novamente transferido a prisão comum, na Ilha das Cobras.

Os sobreviventes já cumpriam 10 meses de prisão, e a Irmandade da Igreja Nossa Senhora do Rosário, protetora dos negros, havia contratado três grandes advogados: Jerônimo de Carvalho Caio Monteiro de barros e Evaristo de Morais; o julgamento durou 48 horas e todos os marujos foram absolvidos por unanimidade. Depois de sair da prisão, João Cândido, estava com a saúde muito abalada, tuberculoso, sem dinheiro e sem trabalho, foi obrigado a viver de bicos, pois tinha a fama de rebelde.

O FIM

Foi estivador e carregador de peixes na praça XVI no Rio. Participou ativamente do movimento integralista de Plínio Salgado mas deixou o movimento alegado a falta de atuação dos líderes.

Ia ser homenageado no Rio Grande do Sul em 1961, cidadão de porto alegre, mas a Marinha impediu a cerimónia. Morreu no Rio de Janeiro de câncer em 1969.


Respostas

  1. Falta aperfeiçoar este programa:
    1. Resposta sobre o que?
    Site URL? precisa melhor explanação sobre qual matéria se há de respponder por exemplo estou procurando uma maneira de fazer marcação de consulta e não não encontro maneira de fazer.
    Se a pergunta é sobre o filme sobre o almirante negro, achei muito importante o avanço nesse campo social antes um tabu.

  2. faltou melhorar a pontuação, a consulta referida é médica, o avanço no campo psicsocial é que no meu tempo era até proibido se falar em João Cândido. Há agora um certo reconhecimento histórico dos mais modernos.

  3. a historia do almirante negro deveria e deve ser mais divugada pois ao contrario do que relata a história ele não era um baderneiro e sim um herói por lutar por uma causa tão nobre que é o respeito da vida humana.

  4. adorei os comentàrio parabèns.


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