O comandante do Exército na Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, disse na quarta-feira (9) que o Brasil está caminhando para perder parte de Roraima devido às demarcações de terras indígenas, de acordo com reportagem desta quinta-feira (10) do jornal “O Estado de S. Paulo”.
“Roraima está acabando, porque o território indígena é maior que o do estado”, disse o general, segundo relata o jornal. Para Heleno, a política indigenista brasileira “está na contramão da sociedade, conduzida à luz de pessoas e ONGs estrangeiras”.
O general também criticou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela ONU com voto favorável do Brasil, que garante aos índios a posse e controle autônomo de territórios por eles ocupados.
“Enquanto eu for comandante militar, minha tropa vai entrar onde for necessário”, disse. “Segundo essa disposição, se um chefe ianomâmi resolver proclamar-se imperador, já que pode escolher o regime político,vamos ter de acatar sua decisão”, ironizou o general.
Segundo o jornal, o comandante da Amazônia observou que um indício de que as ONGs estão por trás da questão indígena é que muitos índios não têm condições de formular reivindicações que fazem. “Há ONGs picaretas entre as 220 mil que atuam no Brasil.”
O secretário de Comunicação do governo de Roraima, Rui Figueiredo, afirmou ao G1 que o governo do estado concorda com a posição do general. Figueiredo destacou que hoje as demarcações de terra indígenas correspondem a 46,31% do território do estado.
O G1 procurou também a Fundação Nacional do Índio (Funai) para comentar as declarações do general e aguarda retorno.
Raposa Serra do Sol
Na quarta-feira (9), ao comentar a disputa em torno da retirada de não-índios da terra indígena de Raposa Serra do Sol, o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), disse que existem interesses internacionais em jogo no estado.
“Na realidade, este sentimento que aflora na Amazônia é que há um interesse externo, há interesses estrangeiros, de pessoas a quererem determinar o futuro da nossa Amazônia. Nós temos hoje na Amazônia mais de mil organizações não-governamentais”, afirmou Anchieta Júnior, em entrevista à Globo News.
O Interessante é que boa parte dos indígenas são a favor da permanência dos arrozeiros, que atuam no ciclo produtivo das aldeias, quem não está querendo mesmo são as ONGs estrangeiras.
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